Mudanças

Essa semana começaram a pipocar frases geradas pelo what would i say (apelidado carinhosamente de robozinho por mim). Eu adorei a brincadeira, mas uma delas me fez refletir bastante “A vida da nova nova Nara”. Engraçado como o robozinho me conhece tão bem.

Passamos por mudanças o tempo todo, mas de uns tempos para cá eu sempre me pego surpresa com a reviravolta que minha vida deu. Começo de 2012 eu estava em um namoro de quase 5 anos e aí do nada estava solteira. Não sabia bem como era ser solteira, então em 2012 voltei a me sentir com 16 anos e suas mil descobertas. Descobri que não era tímida da maneira que eu achava; que gostava sim de dançar e que fazer amizades era bem interessante. Tava formada a nova Nara.

Em 2013 quando já tinha me acostumado com essas descobertas todas, o mundo foi lá e virou de ponta cabeça. Eu não queria mais fazer a faculdade que estava fazendo. Vi que eu queria mais, muito mais. Entendi que muitas coisas eram mantidas dentro de mim e que eu tinha medo de colocar para fora.

A frase do filme “Compramos um zoológico” está totalmente certa: “Sabe, as vezes tudo o que você precisa é de 20 segundos de coragem extrema. Sério, 20 segundos de bravura vergonhosa e eu prometo que algo ótimo vai acontecer”.

Foi isso que fiz. Tranquei a faculdade, voltei a morar com minha família, comecei um namoro e a buscar algo meu. Meu por inteiro, sem medo do que eu ia descobrir.

Agora estou aqui, sem saber o que vai ser de 2014 e adorando isso.

Infelizmente mais uma vítima. Li sobre o caso da Thamiris com uma dor cada vez mais crescente no meu peito. Se quiser entender um pouco melhor a historia, clique aqui.

Resumidamente: a Thamiris foi ameaçada diversas vezes pelo ex-namorado e uma das mil formas de vingança/tortura dele foi divulgar fotos íntimas dela pela internet através de vários perfis falsos.

O relato dela é dolorido e o medo da nossa sociedade cresce a cada vez que ela compartilha as mensagens que recebeu das mais diversas pessoas. Aterrorizante ver pessoas cheias de ódio contra a única pessoa que não tem culpa na historia toda. Ela conta as várias formas de reações que recebeu e infelizmente a maioria eram do pior tipo possível, mesmo quando a pessoa achava estar sendo legal dando “conselhos” (conselhos que culpabilizam a vítima, não são lá conselhos, ok? são apenas formas ridículas de você expor sua opinião preconceituosa).

Sempre leio esses casos e sempre me surpreendo. Teimo em aceitar que as coisas estão desse jeito. Dessa vez me assustei ao ver que a família do rapaz estava completamente do lado dele. Como se ele fosse o coitado por ter sido abandonado pela namorada cruel. Pior ainda, a justificativa da família dele é que a moça foi ruim, traiu e enganou durante 2 anos. Ah, agora está tudo explicado, ele só está fazendo justiça..aham…é, ele nunca vai entender, a família dele nunca vai entender..só espero que outras pessoas passem a olhar de forma diferente e tomem muito, mas muito cuidado antes de falar “ninguém mandou ela tirar as fotos peladas”. Porque se for para falar isso, fique bem quietinho tá? O mundo agradece.

 

 

 

 

A dor de confiar

Outro dia ao acordar li a notícia  da jovem que se suicidou após um vídeo íntimo circular pelo whatsapp. Infelizmente algo que acontece com cada vez mais frequência.

Fiquei triste e dessa vez me recusei a ler os comentários. Já sei como grande parte vai ser. Eles estavam lá no caso da Fran e me deixaram (mais uma vez) sem esperança e confusa.

Mesmo que eu saiba tão claramente que a vítima leva a culpa na sociedade machista que vivemos, eu não consigo entender como a mente dessas pessoas funcionam.

Não sei se as pessoas vão dar um descanso nesse caso já que ele terminou de forma (mais) trágica, mas, sei que vão ter piadas por ela ter feito sexo com duas pessoas (como se ninguém fizesse isso) e dela ser “burra” por não ter aprendido que não se deve filmar essas coisas.

Serio? Burra? Li uma vez que é triste que a confiança em alguém signifique burrice. É bem isso né? O que pregam é que você não deve confiar nunca. Não importa quem seja. Além de que sua vida sexual também deve seguir um padrão. Acho que só acham certo se for a posição papai-e-mamãe e entre um homem e uma mulher. Como se nós humanos não fossemos tão diferentes e complexos; com gostos e desejos diversificados.

Não existe normalidade, afinal o que é dito como normal para você pode ser completamente estranho para outra pessoa. Então porque não aceitamos logo as mil (deliciosas) diferenças? Aceitar geraria muito menos dor e muito mais felicidade. Por enquanto, espero que as pessoas sintam um pouco mais de empatia pelas vítimas e parem de criticá-las. Elas não estão erradas, nunca estão. O erro está na pessoa que circulou o video, que liberou a intimidade de alguém pela internet. E  que mais um caso não acabe com um fim da vida de mais uma pessoa inocente.

Bem consigo mesma

truetoherself

Minha casa nunca fica vazia, algo que tem seu delicioso lado bom. Então aproveitei esse raro momento de solidão e transformei o tal vazio em algo libertador.

Liguei a música bem alta, naquela altura que ninguém consegue conversar, mas que eu escuto a letra lá do último cômodo da casa como se estivesse do lado do rádio.

Tirei meu pijama e coloquei meu biquini. Qual? Podia ser qualquer um, mas optei por aquele que acho um pouco menor e que “meu corpo não cai bem”, como se corpo tivesse que cair bem em alguma coisa e não apenas ser.

Me olhei no espelho e vi todos aqueles pedacinhos que não estavam de acordo com a tal ditadura da beleza. Sempre falei que não estava nem ai para o que os outros falavam, mas me vi inúmeras vezes indo dormir com fome para acabar com a barriga. Ou colocar uma roupa que eu adoro e tirar ela tristemente porque mostrava minhas gordurinhas. Ou colocar calça comprida no calor porque a depilação não estava super em dia (algo que provavelmente só eu enxergava no meio da minha neurose).

Me olhei e me amei. Sentei sem segurar a barriga mesmo e fiquei encarando. Até falei com ela em um diálogo tímido “oi barriga, falam que não devo gostar de você, mas no momento sinto amor”. Brega, eu sei, mas, verdade. Eu, pela primeira vez, amei minha barriga. E assim fui olhando para cada “defeitinho”.

Deitei no chão do quintal para tomar sol. Estiquei os braços e lembrei que não tinha depilado ainda. Dei risada e me senti leve.

Ninguém aqui em casa ligaria para isso, mas eu sim. Eu me sinto incomodada. Não que eu fiquei impecável dentro de casa, mas, certas coisas as pessoas poderiam achar “feio” demais e eu ficaria constrangida com os olhares (imaginários). Na verdade quem achava feio era eu, quem lançava olhares para dentro de mim era eu.

Agora, sozinha e a vontade, sou eu.

E entendi.

Por uma vida sem regras dos outros e as suas próprias.

Com isso tudo, fica a dica do belíssimo trabalho da negahamburguer , ela desenha a mulher real, sem grilos, sem neuras e principalmente: sem regras.