Luz Marina

IMG_3646Ontem fui despretensiosamente no show da cantora Luz Marina no Sesc Vila Mariana e tive uma surpresa bem agradável. Gosto bastante desses shows baratinhos que o Sesc proporciona exatamente por nos dar a chance de conhecer coisas novas. Sem contar que é um passeio super interessante de se fazer numa terça feira a noite e torná-la uma noite de confraternização de amigos e música boa.

A banda manda muito bem e a voz dela me lembrou um pouco de Tulipa Ruiz. Gostei bastante da presença de palco que a Luz Marina tem. Além das danças que mostravam o quanto ela estava conectada com a música, ela cantou música sentada, deitada, brincou com os tecidos do palco e por ai vai.

A surpresa da noite foi a participação da família cantando com ela. Subiram no palco a mãe e a irmã. Cantaram juntas, todas com um vozerão, com energia e muito amor. Bacana a sintonia entre as três. A leveza.

E ai dá para ver que vem de família essa musicalidade, esse jeito diferente, artistico. As festas em família devem ser bem diferentes e recheadas de talento.

O que me fez lembrar da minha casa. Do contato com a música sempre tão vivo. De festas com mini bandas. Com música sempre a me acordar de manhã. De ir dormir com meu pai no violão…

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Leveza e não magreza.

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Outro dia ia me arrumar para sair com o namorado. Olhei minhas roupas e decidi pegar uma das minhas calças prediletas. Ela era a calça da conquista, tamanho 34, comprada ano passado e isso me fez pensar em algumas coisas.

Vou voltar um pouquinho no tempo: no ano de 2007 eu pesava 45kg e até 2012 engordei até chegar aos 57kg. Parece pouco, mas eu sou baixinha -e nervosa hehe- (tenho 1,55), então 57kg é bastante coisa pro meu porte físico. Minha auto estima estava bem ruim. Me sentia feia, gorda e chata, tudo isso triplicado. Minha saúde não estava nada bem também. Os problemas empilhavam sem que eu soubesse como resolver e ali estava a comida para eu me enganar temporariamente. Sentia até um orgulho de ouvir os comentários que eu comia bastante, até mais que os rapazes, só que depois eu me sentia inchada e não gostava nenhum pouco de me olhar no espelho.

Janeiro de 2012 resolvi dar um basta e comecei a dieta dos pontos e lá se foram os 12 kg. Minha auto estima estava bem melhor. Não foi só por emagrecer, muita coisa mudou de dentro para fora, sabe? Bom, foi ai que eu vi que não tinha calça nenhuma e encontrei essa de numeragem 34. Sem acreditar muito que fosse caber eu experimentei e me vi radiante quando vi que ela ficava perfeita. Postei no instagram, recebi elogio das amigas e mil curtidas no facebook.

Pulando para o presente, novembro 2013. Coloquei a tal calça e ela estava apertada. Entrou com dificuldade (com direito até a prender a respiração para fechar o botão) e eu estava ali na frente do espelho sorrindo. Sim, sorrindo. Muita coisa mudou em mim. Não acho mais que padrão magreza é mais bonito, mas quando era comigo não era tão fácil assim. Era um diálogo com minha auto estima, com a auto crítica. Só que dessa vez não, acho que finalmente entendi. Posso dizer que fiquei feliz porque percebi que tinha engordado, que aquela calça já não era pra mim, que tamanho 34 é um número irreal e não dei bola. Não quero mesmo ser super magra. Quero ser saudável e só. Se ser saudável for usar 40, 42 ou qualquer outro número, ok.

Esse ano me desprendi de muitas coisas e fico feliz com esse. Dessa vez quando eu como mais do que deveria (ou seja, me sinto cheia, inchada e com algum desconforto) eu não me sinto culpada e me puno indo dormir com fome, eu simplesmente tento tomar cuidado da próxima vez para não entrar de novo na compulsão. Eu não tomo mais refrigerante, mas não porque eu tinha que parar porque engorda, apenas porque adquiri o hábito de beber mais água e não sinto mais falta, só que se eu sinto muita vontade eu encho um copo e saboreio. Não rejeito docinhos. Proibições são tão chatas…e assim leve as coisas vem mais naturalmente.

Ps: acho que vale a leitura desse e desse textos. São ótimos para refletir.

Lulu/Tubby e as brigas que geram

Li posts excelentes sobre o aplicativo Lulu de varias feministas. Vi opiniões um pouco diferentes, mas todas tinham algo em comum: não apoiam o aplicativo e acham que ele só piora a falta de igualdade na sociedade.

Algumas confessaram achar interessante ver os opressores no papel de oprimidos. Sim, eu também achei interessante. Achei interessante ver os mesmos homens machistas que falam “te pego/gostosa/delicia” quando você passa na rua, achar extremamente absurdo o Lulu. Sim, ele é absurdo.

Você fazer comentários sobre o corpo de uma mulher sem ela te dar autorização também é absurdo (e nem vou prolongar os mil outros absurdos que o machismo comete), mas não é por achar interessante que eu apoio a existência do mesmo.

O fato é que agora surgiu um aplicativo para ter um revanchismo sobre o revanchismo (acho que isso não vai parar nunca). O tal Tubby que estréia essa semana vai dar notas e hashtag sobre a performace sexual da mulher. Ridículo também.

Só que ao ler os comentários temos mulheres bravas porque nós mulheres estamos indignadas com o aplicativo e com o peso das hashtags e que não agimos da mesma maneira quando foi ao contrário. Temos homens falando que agora é a vez deles de falarem o que quiserem e nós aceitarmos caladas (essa posição deles não me soa como novidade, apesar deles tratarem dessa forma).

Mulherada, é sério isso? Não queremos nenhum dos dois aplicativos simplesmente porque não gostamos da objetificação de nenhuma forma. Não gostamos da desigualdade também. Não é porque estamos indignadas e lutando para que todas possam se descadastrar que quando era o Lulu nos criamos nossa conta e demos notas por ai, pelo contrário, várias de nós escreveram o quanto tudo isso era doentio.
Então vamos todos nos unir? Ou pelo menos pensar um pouco antes?