Faculdade

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Minha ideia não é fazer um texto para convencer as pessoas a não fazerem faculdade, mas eu me questiono sempre se esse modelo que conhecemos é bom e funcional.

O curso que eu fiz  (e tranquei com um alívio no coração) é integral e em outra cidade. Entrava as 8 horas e saia as 18hrs. O que dá 10 horas de estudo porque o horário de almoço consistia em 15 minutos para engolir a comida e 2:45 para adiantar trabalhos, ler artigos e fazer reuniões. Quando chegava em casa lá se iam mais algumas horas para tentar fazer tudo isso de novo e ir pra cama para ao menos dormir 5 horas (em época que não era de provas e entregas de trabalho). A sensação que eu tinha e continuo a ter mesmo depois de ter saído dessa vida é que a carga é tão tão tão pesada que não dá tempo de você absorver e debater o conhecimento. Vira um empilhamento de coisas na sua cabeça que de tão cansada faz o mais óbvio para sobreviver com tanta informação: deleta.

Entrei uma vez em um debate desse com um professor e ele disse que quem quer de verdade fazer a faculdade se esforça. Bom, eu considero que me esforcei. Demorei para fazer amigos, não fui em festas, estudava em todos os minutos de folga e perdia finais de semana. Vai ver eu tinha que me esforçar mais ainda (e dormir menos) afinal muitos conseguiram, muitos gostaram. Só que eu acho estranho e não normal como todos falam, que a maioria diz que sente não ter aprendido nada e que só sabem responder apenas a área do estágio. Acho estranho ter 4 horas seguidas da mesma matéria, ou 6 horas em um único dia. Acho estranho você reter informação com essa enxurrada de conhecimento. Acho estranho você decorar mil coisas que vai esquecer. Acho estranho que para você fazer estágio tem que faltar em aula. Acho tão estranho que acho que esse mundo não é para mim, não por enquanto, não agora (ou nunca).

A importância do desconforto

Mais estranho que a ficção

O que você faria se percebesse que sua vida é uma história escrita por alguém que você sequer conhece? É exatamente isso que acontece no filme “Mais estranho que a ficção”. O personagem principal é bem monótono porque gosta de fazer tudo igual e seguindo regras impostas por ele. Sua vida já está inteira traçada. Até ele perceber que está dentro de um livro e que sua autora decide que vai mata-lo no final.

O que é interessante é a descoberta dele de que a vida pode ser muito melhor; que existe um jeito de realmente vivê-la e isso ele só percebe quando a morte é eminente. Se você faz um paralelo isso acontece com muitas pessoas. O medo do novo paralisa. A pessoa para no tempo e segue sua rotina sem parar para pensar se realmente é feliz dessa maneira. Ou percebe que não é, mas não faz nada para mudar. Será que essa pessoa também só irá mudar e ir atrás de vivências quando a morte der um ‘alô’?

O que me fez lembrar de um artigo do Léo Babauta. Léo é um escritor genial e um dos projetos dele é o Zen Habits. Um blog que fala sobre a simplicidade das coisas, o foco no que importa e como achar a felicidade.

No meio de tantos conselhos bons me deparei com um texto sobre desconforto. Nesse ele aborda o quanto estamos acostumados a evitar o desconforto e com isso perder várias experiências deliciosas. Ele dá exemplos muitos simples, mas que você pode colocar em diversas situações. Um dos exemplos é que muitos de nós nos sentimos assim ao conhecer pessoas novas, então a tendência é que só falamos com ‘x’ pessoas e perdemos a oportunidade de conhecer outras bem legais. Se você prestar atenção nós fazemos esse tipo de coisa o tempo todo. Quanto será que não perdemos?

Resolvi colocar resumidamente e com as minhas palavras as dicas que o Léo diz ajudar bastante para mudar esse ciclo:

  1. Comece sentindo um pouquinho de desconforto. Escolha algo que te traga essa sensação e faça por 1; 5; 10 minutos. E analise como você se sentiu. Realmente foi a pior coisa do mundo?
  2. Quando você sentir uma urgência de fazer qualquer coisa para fugir desse desconforto, não faça. Espere um pouco. Normalmente essa urgência passa logo. Espante os pensamentos negativos de que fazer isso é muito difícil e tente ser forte. Não ceda nenhuma vez, senão você vai querer ceder o tempo todo.
  3. Continue a praticar e você vai perceber que o pouquinho de desconforto agora é sua base, então é hora de aumentar mais esse tempo até virar algo normal.

Espero que essas dicas ajudem todos nós a fugir do cômodo e que as novas aventuras tenham espaços nas nossas vidas.

 

Produtividade e seus significados

How-to-Be-Productive—Four-Apps-to-Stay-on-the-Ball

Ontem deitada na cama me senti desanimada. Refleti sobre a semana que passou voando e pensei “poxa, essa semana não fiz nada. Não tinha nenhum projeto. Foi inútil…perdi esses dias” e por aí vai, mas…peraí. Por que a nossa tendência é sempre essa? De enxergar tudo do lado negativo. De nos cobrar tanto e nos crucificar. Temos sempre que ser “produtivos”. Se bem que isso depende muito do seu ponto de vista. Foi isso que eu fiz, mudei meu ponto de vista.

Eu passei a semana entre leituras de textos interessantíssimos na internet e o livro “Madame Bovary”, assisti muito “Breaking Bad” e “Jóia rara”, reguei a minha cachorra (uma das cenas mais fofas de todos os tempos), revi amigos do colégio, conversei com meu pai sobre política, cuidei da casa, escrevi no diário, comecei um romance, me desconectei da internet e muitas vezes deite no chão e pensei na vida. Agora vejo que foi bem produtivo.

Posso não ter dado um passo a mais para descobrir o que eu quero trabalhar, ou ter estudado…ou qualquer uma dessas coisas que nossas mentes dizem que são mais produtivas, mas eu aprendi tanta coisa sobre mim nessa semana leve, que vale para vida toda. Acho que isso que importa né? Então agora vou reprogramar minha mente. Ver o lado bom das coisas faz com que você encare a vida com maior leveza e é isso que busco.