Marcha das Vadias e a participação dos homens

Kelsen fernandes

Foto de Kelsen fernandes

Fui na marcha das vadias em SP no qual o tema era  “Quem cala não consente”. Foi a minha primeira participação e fiquei espantada quando cheguei no vão do MASP.
Tinham tantos homens que cheguei a questionar se a concentração da marcha estava em outro local. Passei pelo vão e encontrei um vestido de saia, alguns de batom, outro escrito “vadia” no peito e alguns com cartazes.
Tem muitas feministas que não gostam da presença de homens lá, não se sentem a vontade e a marcha é um dia para a mulher se sentir a vontade. Outras acham que não tem problema, que com a presença deles vai fazer outros pararem pra pensar na violência que o machismo causa todos os dias.
Muitas enxergam uma diferença entre pró-feminista e feministo. Feminsto é o homem que quer se apropriar do movimento, que palpita, se acha mais certo sobre o assunto do que as mulheres. Aí tem os pró-feministas, que entendem que não são protagonistas e sim pró-movimento, que podem cooperar de algumas formas, mas nunca nos silenciando. Por isso quando um homem bate no peito e fala que é feminista e se ofende quando falamos “não, não é” normalmente no fundo ele é um feministo. Ele não quer ser um aliado, não quer ver seu papel ali.
Por isso que na marcha tantas mulheres se ofenderam com vários ‘aliados’ que estavam lá. O papel deles era ficarem quietos, marcharem ao nosso lado e ajudassem quando pedissemos. Não era usando fantasia, passando batom ou gritando as músicas que nos empoderam. Isso não faz sentido algum, é ridículo e ofende.
Quando você, homem, grita conosco “a porra da buceta é minha”. Não é legal e não é nos dar apoio. A “porra da buceta” é das mulheres e não sua. Quando você escreve “vadia” no peito nós nos sentimos ridicularizadas porque a conotação negativa de “vadia” somos nós que recebemos no dia a dia. Quando você segura cartaz com “chega de cantadas” é ofensivo porque somos nós que sofremos com o machismo, nós que temos medo quando andamos na rua, nós que atravessamos a rua para fugir de assédio. Nós.
Anúncios