Músicas feministas

Temos várias músicas feministas por ai e várias artistas debatendo esse assunto nas suas composições. Como ficaria uma lista imensa, resolvi escolher 5 grupos compostos por mulheres e com letras diretas e claras sobre temas chaves no feminismo. Fique a vontade para indicar mais grupos porque foi muito interessante ouvir tantos sons diferentes nesses últimos dias e ver tanta mulher emponderada.
Ps: Não vão ser analisadas as partes técnicas. O intuito é apenas compartilhar a letra e a mensagem da luta.
 
1- Putinhas aborteiras: Um coletivo anarcafeminista de Porto Alegre que faz músicas anarcofunk e anarcorap sobre temas políticos como as (milhares) de mortes de jovens na periferia pela polícia, a manifestação do passe livre, monogamia, o direito ao aborto, empoderamento da mulher e etc. Todas são muito interessantes e bem construídas; feitas por mulheres na luta. Letras que podem chocar, mas principalmente te fazem refletir e desconstruir.
Se é que é justo falar apenas de algumas músicas, darei destaque para a “Empodera” que tem uma das letras mais geniais que eu já ouvi:

“cada palavra opressora que ouve

suporta como um tiro de bala

estoura, rasga e penetra

até sangra, mas não me cala

cansei de suportar o que eu não quero carregar

me empondero, ocupo e falo sobre o que eu quiser falar”

A música “Feminista” aborda os padrões de beleza, aborto e masturbação :

“Em matéria de aborto

A gente sabe bem

O corpo é da mulher

E a decisão também”

2- Miojo feminista: Myka Poulain possui vários projetos diferentes para falar de assuntos feministas. Desde escrever para um blog até criar músicas paródias ou autorais. Infelizmente no soundcloud dela só existem poucas músicas e o aúdio é bem baixinho. A parte boa é que são muito boas e vale a pena aumentar o som e prestar atenção na letra e aprender um pouco.

Vou deixar dois trechos aqui, mas vai lá escutar que vale a pena.

Não culpe a vítima – paródia de “não se reprima”:

“elas não tem culpa do abuso que sofreram e precisam de paz

a sociedade é uma merda e isso só piora tudo

por isso pare, pense e culpe o agressor.

não culpe a vítima”

Os tempos já se vão – paródia de “dog days are over”:

“podemos ser o que quisermos, o que ja somos, enfim

voaremos na cidade

somos bem mais que 100

o corpo é nosso e as escolhas também.

Eu visto o que eu quero

ela age como quiser

temos uma luta que é pra toda mulher”

3- Pagufunk: é um coletivo do Rio de Janeiro de mulheres funkeiras que falam nas suas músicas sobre a vida na periferia. Falam da luta feminista, de racismo, revolução e etc.  As letras causam mais polêmicas (e os vídeos também) e a maioria dos homens acham um absurdo sem fim, mas para deixar claro, a luta não é voltado para os homens e sim para as mulheres. Para as mulheres se emponderarem. E elas mesmo comentaram na carta aberta que é voltado para um tipo específico de homem.

E lembre-se: a misândria é bem diferente da misogenia. A misândria nunca vai ser uma forma de opressão simplesmente porque é uma reação da vítima. Além de ser um ódio pela classe masculina e não para o homem individual e uma forma de defesa de tantos traumas sofridos pelas mulheres diariamente. Definições a parte, com as letras polêmicas muitos assuntos são debatidos:

A missão vai ser cumprida (Proibidão feminista):

“A nossa luta é todo dia contra o machismo, racismo e homofobia

E a missão vai ser cumprida

se chegar na favela com esse papo de machista

vou cortar sua pica

se ficar fazendo piadas racistas

vou cortar sua pica

se ficar esculachando as sapatas e travestis

não será perdoado”

Se prepara:

“se prepara, mona, que a gente tá na pista! Demorô

eu vivo revolucionando o meu cotidiano!

eu adoro, eu me amarro!

e as meninas tão boladas e não tão de bobeira.

Ja notaram que tem machista na esquerda, machista na direita.”

4-Amazonas acústicas: Se você ouvir algumas das músicas e se identificar sem entender a pegada de humor e ironia, melhor você ler mais sobre o assunto e mudar algumas atitudes. 3 das músicas disponíveis falam do “homem feminista”. Se você for homem, entenda que se você apoia a causa feminista você é um pró-feminista e não um feminista/feministo. Vocês são no máximo nossos aliados e não protagonistas da nossa luta, dessa forma são pró-movimento. Lógico que dentro do feminismo temos várias vertentes e algumas mulheres não se importam se você fala que é feminista, só que se algumas se importam, porque você que quer tanto ajudar a causa ainda insiste em usar um termo? Faça a sua parte e respeite.

Papai só pensa no papai:

“cotidiano da mulher

se repete todo dia

e tu vem me dizer

que não pode a misandria?

a marca roxa

sangue escorrendo

vizinho passou e viu

mas finge que não tá vendo”

Homem feminista:

“Vou na reunião com todo meu cinismo

se discordar de mim eu digo que é feminazismo

Eu sou um homem feminista

Não quero nem saber de denunciar um agressor

Não quero nem saber de fazer escracho para um estuprador

O que eu quero saber é o que você, mulher, vai fazer

por mim”

5-Dominatrix: Uma banda feminina de hardcore que existe desde 1995 e que mesmo passando por mudanças na sua composição continua a fazer shows até hoje e discutir abertamento o feminismo. Foi uma das precursoras do movimento Riot Grrrl no Brasil e já fez tour pela Europa e EUA. Inicialmente as músicas eram apenas em inglês, mas em 2009 elas lançaram o EP “Quem defende para calar” com todas as músicas em português.

Meu corpo é meu

“Puro é aquele que inocênte não se segurou e foi

Tentado a violentar e sem querer matou

Puta é aquela que se dá pra quem se dá sem o seu

Aval misógino, mas meu corpo é meu.”

Patriarchal Laws

“I’ll squeeze every drop of my blood to the revolution

Justify rape is to kill a girl twice.

Patriarchal laws there’s no freedom it’s just a sick world.”

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