Campanha “Um é muito”

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Uma campanha está sendo feita pelo governo americano para diminuir o número de estupros e abusos contra mulheres, especificamente jovens, estudantes e mulheres entre 16-24 anos. Nela é abordado coisas que deveriam ser básicas e óbvias. De que a mulher NUNCA tem culpa e não deve em hipótese alguma ser culpada. Que quando a vítima não diz SIM ou não tem como dizer não, não significa que ela consentiu.
Logo no começo do vídeo diz que os abusos ocorrem em festas, faculdades, colégios e bares. Só que o número de casos dentro de casa por pessoas conhecidas é alarmante. A violência sexual está perto de nós e não apenas no caso clássico de beco escuro e uma arma na sua testa. O abuso acontece por familiares, amigos, namorados, maridos. Pessoas que você conhece e confia.
O dolorido desses assuntos é que sempre nos deparamos com comentários de homens reclamando “e os homens? homens também sofrem estupro”, “as mulheres também estupram, por que ninguém fala isso?”, “os homens sofrem”. Primeiramente o video da campanha em nenhum momento disse que “homens não são estuprados”. No próprio site eles explicam o objetivo da campanha, mostram os dados das ocorrências e terminam com “apesar de homens serem um número menor de sobreviventes, não são menos importantes”. E por que o foco são as mulheres? Pelo simples fato que o índice mostra que nos casos de estupros 91% são mulheres e que 99% de preso acusados de estupro são homens.. Cálculos de 1998 no EUA mostram a ocorrência de agressões sexuais a cada 6 minutos e que pelo menos uma a cada quatro mulheres sofreu contato sexual não consentido ainda na infância/adolescência.
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As mulheres sofrem com o machismo TODOS os dias. De diversas formas. O homem é o privilegiado na nossa sociedade machista e patriarcal (sobre ser privilegiado e perpetuação de preconceitos, leia esse texto excelente) então a violência nem se compara. Ou seja, não dá para comparar coisas incomparáveis. O que não significa que queremos que homens continuem a ser estuprados. Ninguém devia passar por essa violência horrível. Tanto que o artigo 213 que fala de estupro foi alterado e o homem pode ser ativo ou passivo da ação: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. O que quer dizer que é reconhecido que eles também podem sofrer esse tipo de violência.
Só que existe sempre esse fenômeno de que quando se fala de alguma coisa as pessoas consideram que está anulando a outra. Por exemplo, quando se resgatam animais de rua, sempre tem alguém para falar “e as crianças abandonadas? por que não se importam com elas?”. Curiosamente são essas pessoas que reclamam tanto que normalmente não fazem nada para mudar nenhuma das questões.
Os homens que reclamam com esses tipos de comentários toda vez que surge uma campanha para desconstruir o machismo da nossa sociedade, são aqueles que não querem que o machismo acabe consciente ou inconscientemente. Porque estão felizes com os privilégios que recebem todos os dias e negam que existe uma cultura do estupro. Por que querem continuar a obrigar a parceira fazer sexo com eles porque “essa é a obrigação dela”. Por que querem continuar agarrando uma menina na balada. Por que querem continuar se aproveitando quando uma mulher está embriagada. Querem continuar a fazer todas essas violências e ter apoio da sociedade. Querem continuar a fazer e colocar a culpa toda na vítima.
Só que a cultura do estupro existe, tanto que exemplifiquei acima atos que acontecem no dia-a-dia. Infelizmente muitos desses atos sequer são vistos dessa forma, afinal na sociedade é normalizada a insistência, que o “não” significa “sim”, que se bebeu tanto agora tem que assumir as consequência e que se usa essas roupas ela quer. Não, ela não quer.
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