“O passado” um filme do Asghar Farhadi

Le-passé-The-Past-crítica do filme

Esse drama francês do iraniano Asghar Farhadi (o mesmo de “Separação”) é praticamente impossível descrever a sinopse porque não é sobre uma história e sim sobre os personagens. Gosto de filmes assim porque são possíveis de se desenvolver mais já que retratam apenas um período.

Nesse filme são poucos dias, mas são o suficiente para conhecer cada personagem e traçar na sua mente como foi o passado e como será o futuro de cada um, sem nunca descobrir o que realmente aconteceu.

Os personagens principais são quatro: Ahmad, Marie, Samir e Lucie. Resumidamente: Ahmad depois de quatro anos retorna para Paris para assinar o divórcio com Marie e reencontrar suas duas filhas de criação (entre elas Lucie). Quando chega na cidade descobre que Marie deseja se casar com seu namorado Samir. Parece simples né? Só que aos poucos somos apresentados a uma complexidade de eventos.
Como o filme é calmo e longo temos tempo suficiente para imaginar como reagiríamos naquelas situações e foi exatamente isso que fez com que a história não saísse da minha cabeça.

Percebemos no desenrolar da trama que todos os personagens têm segredos e sentimentos mal resolvidos. Chega a ser trágico como cada um se engana a sua maneira para não enfrentar os problemas que têm mais medo. Cheguei por alguns segundos a julgar um dos personagens: “como não percebeu isso antes?” ou “por que escondeu isso todo esse tempo”. Só que lembrei o quanto todos nós fazemos isso.

Quantas vezes nos refugiamos em nossas próprias ilusões? Passei por situações em que queria tanto acreditar que até parecia verdade e me surpreendi quando tudo desmoronou, afinal nunca tinha existido. Não significa que somos fracos, apenas que não estamos prontos. A vida muda muito rapidamente e nós também desejamos pular etapas, enxugar o choro logo e voltar para a batalha. Só que as vezes o necessário é sentir a dor, enfrentar (e sentir) o medo, para então definir o próximo passo com um pouco mais de certeza.

Além disso pela presença de personagens com idades diferentes, temos conflitos diversos. Lucie é vista em boa parte da trama como uma adolescente irritada e nada compreensiva, até que a trama volta-se para ela e temos a chance de entender (e relembrar) que os dramas adolescentes nem sempre são tão simples e bobos. Existe todo um peso difícil de administrar nessa época somado com a falta de diálogo.

Um dos personagens que seriam secundários o pequeno menino Fouad, filho de Samir, nos surpreende. Todas as cenas a qual aparece nos faz refletir da necessidade da família ser estruturada e de saber explicar para as crianças as adversidades enfrentadas ao invés de acreditar que elas não percebem (e sofrem) com os tumultos do mundo adulto.

Acredito que o que torna um filme bom é exatamente isso: A nossa própria reflexão.

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