Cantadas

Conheca-as-armas-contra-o-assedio-sexual

 

Eu estou trabalhando com atendimento ao cliente e no geral eu acho bem legal conversar com pessoas diferentes. As vezes incomoda quando não rola nem um “boa tarde, você tem o livro tal?” e respostas meio grossas e irritadas quando a resposta não é favorável. As vezes faço amizade, recomendo livro, me recomendam outros, falam da vida e fico feliz. Assim o dia segue.

Só que esses dias passei por uma situação triste. No meio do atendimento o rapaz começou a me cantar. Me chamou de bonita, passou a mão no meu braço, me chamou de amor e terminou com um “eu volto para te ver”. Não, não volte. Não quero te ver, não sou seu amor e não me importo se você me acha bonita ou não.

O pior de tudo foi não conseguir rebater. Pensei no emprego que precisava. Fiquei quieta, triste e surpresa. Uma sensação de impotência que me atingiu fortemente. No meio do meu dia, no meio do meu trabalho e lá estava um homem achando que tinha direito de falar o que bem quisesse, como eles sempre acham que têm.

Essa impotência no meu dia a dia me fez lembrar de uma conversa com algumas feministas onde foi perguntado se nós contrataríamos homens para trabalhos domésticos (faxina, cuidar de crianças ou idosos e etc) e todas falaram que não. Que não se sentem seguras com homens dentro de casa.

Pensei em todas as vezes que estava sozinha em casa e tive que receber algum homem para fazer reparo ou instalar internet + tv. Todas as vezes eu fico com medo. Todas as vezes eu mudo a roupa que estou. Todas as vezes eu aviso alguém quando o homem chega e quando vai embora. Todas as vezes tento me acalmar lembrando que a minha cachorra pode me proteger pelo menos um pouco. Toda vez respiro aliviada quando a presença masculina vai embora e eu fiquei bem.

Atravessar a rua quando vê um homem se aproximar, evitar contratar serviços, prender o cabelo, trocar a roupa, sentar do lado do corredor no transporte público…são todas ações ‘pequenas’ que fazemos todos os dias para sobreviver ao machismo. Infelizmente nada de novo aqui.

 

 

Pela liberdade dos nossos pelos

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De uns tempos para cá tento desconstruir muitas coisas em mim. Com o feminismo minha mente abriu em vários sentidos. Entendi que amor próprio é algo lindo e que não é algo impossível de ter. Amo meu corpo, meu peso, minha barriga e..meus pelos.

Lidar com os pelos foi um processo maior do que eu esperava. Quando via foto de mulheres com seus pelos como nesse lindo ensaio eu achava extremamente libertador, mas quando é com a gente as coisas não são tão simples né?

Só que sempre tive pelo muito grosso e com crescimento rápido (coisa de 2x ao dia ter que depilar) e sempre encrava, coça, dá alergia e minha pele vive machucada. Minha compulsão de tira-los sempre foi alta. Não saia de casa sem gillete, pinça e um espelho. Por eles crescerem rápido e encravarem a única maneira que funcionou um pouco melhor foi depilar tudo com pinça, um processo de 4 horas (a cada 3 dias). Só que cansei.

Estava refém de algo que eu não sabia se eu não gostava ou se tinha sido ensinada a não gostar. Afinal nas revistas/tv só aparecem mulheres completamente depiladas (e magras, e loiras e brancas…), só ouvimos que mulher é delicada e tem que estar depilada porque pelo é coisa de homem  e quando esse argumento não funciona: que é anti-higiênico. Anti-higiênico…pensem um pouco..por que só é anti-higiênico quando são as mulheres que tem pelos? Os homens têm e exibem naturalmente. São eles todos sujos? Não gente. Pelo é natural. Homem ou mulher nós nascemos com eles. A diferença é que um padrão de beleza foi imposto e nós seguimos porque sofremos comentários agressivos e piadas o tempo todo.

Só que não preciso de ninguém ditando regras sobre o meu corpo, não quero mais evitar de sair de regata porque não estou depilada, ou usar calça mesmo no calor, cansei de deixar minha pele machucada e vermelha só para não me apontarem o dedo na rua, então decidir testar, passar um mês sem depilar e me entender com eles.

Foi um mês extremamente interessante. Tiveram dias que me senti feia e dias que queria exibir por ai a liberdade dos meus pelos. Essa oscilação toda de sentimentos junto com os questionamentos me fizeram muito bem. Sem contar a minha pele. Minha pele ficou saudável de uma maneira que eu sequer lembrava que ela já tinha sido um dia.

Hoje tenho uma relação muitissimo melhor com eles. Deixo crescer naturalmente quando estou afim e tiro quando quero. Minha pele está melhor, minha neurose diminui bastante e me sinto cada vez melhor comigo mesmo. Se libertar e se amar é lindo e sempre vão existir pessoas apontando e criticando. Dói, é difícil, mas depois que conquistamos é nosso e ninguém tira :)

Ps: A minha ideia não é que todas deixem os seus pelos crescerem porque só assim vão se amar por completo. Não quero ditar regras nenhuma. Se você é feliz se depilando, muito bom! Se você é feliz com pelos, muito bom também. O que importa é se sentir bem, ser livre para ser o que quiser. Aliás, se seu parceiro tenta ditar regras sobre seu corpo..caia fora. O corpo é seu, só seu.

Relacionamentos abusivos – como identificá-los?

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Esse texto é direcionado para as mulheres, minhas amigas e irmãs. Um apelo, uma ajuda, um guia, uma força, um abraço.Relacionamento abusivo é extremamente violento e prejudicial. Acaba com a auto estima, com a segurança e com a felicidade. Fere fisicamente, emocionalmente e psicologicamente. Viramos reféns de alguém. Alguém que manipula, machuca e nos prende com a clássica desculpa que é em nome do amor. Não, não é. Amor não é isso.

É um namoro abusivo se: ele é violento, te machuca, empurra, bate, quebra suas coisas, ameaça pessoas próximas ou se auto flagela. Se te força em algum tipo de ato sexual, seja por meio de violência ou por chantagem (algo que acontece muito muito muito) e faz questão de brigar ou ficar chateado demais quando você não quer fazer algo, se não te respeita e faz de tudo para que se sinta culpada. Praticamente um relacionamento que se alimenta da fragilidade do seu estado emocional, então vai te manter o máximo possível insegura e culpada.

Se o seu namorado te controla, ele é abusivo. Ou seja, se ele que decide que roupa você pode ou não usar, com quem você pode ou não sair, o que você pode ou não fazer, como você deve agir e falar, não te dá privacidade, mexe no seu celular, facebook e email. Inventa desculpas e mentiras quando não quer ficar com você e faz chantagem/briga para que você o veja sempre que ele quiser, critica seu corpo, suas ações e opiniões, não gosta dos seus amigos e nem que você saia com eles, te humilha, faz ameaças de se machucar ou se matar quando você demonstra querer terminar o relacionamento, te transfere a culpa de tudo, te pune, é muito ciumento e etc.

Que fique claro: ele não precisa ser agressivo para fazer NENHUMA dessas ações. Pode fazer por meio de chantagem, de criticas constantes (e ai derruba sua auto estima e suas relações) e brigas diárias.
Se o seu namorado faz QUALQUER uma das coisas citadas acima (ou que você percebeu que são parecidas e não estão listadas – porque são muitas as maneiras dele ser abusador) você pode estar em um relacionamento abusivo e nada saudável.
Em um relacionamento bacana as pessoas são livres, não são objetos de ninguém. Não existe posse e nenhum dos dois tem as vontades acima do outro. Sua privacidade, vontades e desejos são direitos seus.
Muitos homens acreditam que as mulheres têm que fazer o que eles querem e que é para isso que elas servem. Que precisam cuidar deles, fazer o que desejam, servi-los e fim. As coisas não são assim. Não somos bonecas, não somos objetos, não somos deles. Não temos que fazer nada que não queremos.

Abrir mão da nossa liberdade e vontade “por amor”, não é amor. Ele está te controlando e usando algo bonito como desculpa. Quem ama não controla. Quando ele diz que tem cíumes porque te ama, também é mentira. Usa isso apenas para te controlar em tudo que faz.

Eu sei que você gosta dele e sei que acredita que não vai ser sempre assim, que vai conseguir muda-lo. Sinto te informar, ele é assim e vai ser assim. Você pode estar correndo risco, meu bem. E não merece todo esse sofrimento. Você merece amor de verdade. Sei que não vai ser fácil, mas seja forte! Pense sobre isso e espalhe para suas amigas, infelizmente isso é algo que acontece com uma frequência extremamente grande.

Lembre-se: NAO É SUA CULPA. Sério.