Trabalho doméstico e iuzomismo do dia-a-dia

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Triste pensar que o feminismo ainda tem uma longa caminhada para ser entendido por outras mulheres. A luta e as conquistas são vistas de formas tão deturpadas que não são comemoradas e sim tratadas como um retrocesso.

Descobri esses dias que mulheres não podem trabalhar dois domingos seguidos (pelo menos como lojistas de shopping – não sei dizer sobre as outras áreas), mas que homem pode fazer essa escala. Fiquei surpresa e contente, mas todas as outras mulheres que convivo (tanto as do trabalho como da minha vida pessoal) acharam um absurdo.

Chegaram até a dizer irritadas que isso é uma forma de preconceito e injustiça com os homens. Deles vieram reclamações e impropérios, mas isso já é algo constante quando eles percebem que estamos conquistando nossos direitos e que nossa luta não é voltada para dar benefícios para eles. Só que dói ouvir esses mesmos berros vindo de mulheres.

Tentei argumentar que esse ‘benefício’ existe porque ainda são as mulheres as únicas responsáveis por cuidar da casa e dos filhos. Não me importo se o seu parceiro faz as tarefas de casa. Isso é obrigação dele e não deve ser visto como algo para ser parabenizado. Principalmente porque a maioria não divide as tarefas, apenas faz algumas coisas e diz que ‘ajuda’ em casa. Se você acha que mesmo assim é injusto com seu pobre parceiro, pense também nas nossas irmãs que cuidam de tudo sozinhas e ouvem reclamações se as coisas não estão impecáveis. Pense na culpa que elas carregam pela casa não estar perfeitamente limpa e arrumada. Pense que elas ainda se preocupam em lembrar para o parceiro as datas de aniversários dos parentes, de comprar os presentes e de ligar para a sogra para ver se ela está bem. Aliás, lembre-se que somos nós mulheres que cuidamos da sogra quando ela envelhece. Não é o filho, não é o homem.

Se você prefere ter dados para aceitar que INJUSTO é na verdade a carga tripla (na real ela é bem maior porque entram outras questões aqui que vão desde – ter que ficar linda, impecável, depilada e cheirosa o tempo todo e isso leva um tempo danado, além do stress até o fato que o trabalho em si já é uma carga dupla já que a mulher tem que lutar e comprovar muito mais que o homem que é qualificada para aquela posição já que sofre preconceito e misoginia o dia todo que a desqualifica e deslegitima) vamos aos dados:

Pesquisa IBGE: entre pessoas de 10 a 15 anos: 40,1% dos meninos e 71,3% das meninas fazem o trabalho doméstico com 13,3 horas semanais para elas contra 8,3 para eles.

Entre 18 a 24 anos: 82,4 mulheres com 21,2 horas semanais.

Adultas: 79,9% com 17,1 horas por dia.

Pesquisa IPEA 2012:

Em 2009, 90% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais de idade afirmaram realizar afazeres domésticos, comparados a 50% dos homens.

O que se sabe é que elas responderam despender, em média, 26,6 horas por semana realizando afazeres domésticos, em 2009. Os homens, por sua vez, despendiam 10,5 horas semanais.

Pesquisa agência Patrícia Galvão:

Todas as mulheres realizam tarefas em casa. 71% delas não contam com ajuda masculina na realização de nenhuma tarefa dentro de casa.

Cuidados com os filhos: Entre as mulheres casadas, a maioria (71%) não conta com a ajuda do marido. Já entre as solteiras e as viúvas ou separadas a maior ajuda é da mãe: 64%.
além de que: Para as mulheres casadas das classes C e D, isso é mais evidente: 64% e 61% respectivamente, concordam que os maridos dão mais trabalho do que ajudam. Já para a classe AB, a concordância é de 43%.
Mulheres repensem um pouco. O femismo não quer que os homens sejam injustiçados, queremos que as mulheres conquistem DIREITOS. Uma coisa bem diferente da outra.
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