Militância

Acredito que nessa altura você saiba que sou de esquerda e feminista. Me alinho mais ao feminismo radical. Sou bissexual e não participo ativamente de nenhum coletivo, nem feminista e nem LGBTT. Sei que não se constrói algo apenas pela militância do sofá/da internet, mas ainda não consigo participar das ações da rua.

Não vou/não tenho vontade/não vejo sentido em educar o opressor. Não é minha função. Tenho amigos homens e se eles se interessam, se eles tiverem dúvida, se eles cagarem e falarem/fizerem merda, eu falo. Discuto, mostro texto, converso por horas a fio, mas porque tenho uma relação afetiva com eles, se for um estranho eu literalmente não perco meu tempo.

Acham meus textos intolerantes e radicais. Bom, eu acho que não tem sentido eu pegar leve nas colocações só pelo fato das pessoas se sentirem desconfortáveis quando são apontadas atitudes machistas/racistas/lesbofóbicas e etc. Parto do princípio que o pessoal é político. De que temos que desconstruir 24hrs por dia. Não existe feminista 100% perfeita, nós mulheres crescemos em uma sociedade machista e patriarcal, então também estamos desconstruindo falas e pensamentos e não é uma tarefa fácil. Eu gosto quando uma amiga fala por ex: ‘miga, sua fala foi capacitista’. Porque ai eu paro pra pensar e tento tirar isso de mim; sei que não vai sumir do nada, mas vou me encaminhar para tal. Então sim, quando a gente fala “pessoa q vai no show do camelo tá dando dinheiro pra pedófilo’ não adianta ficar chateado porque é o seu músico favorito, não me importa, você está ajudando pedófilo, aceite ou mude. Aliás, aceite e mude.

Festas e a dificuldade de participar delas

As pessoas queridas me convidam para aniversários (e qualquer outro evento aonde tenham muitas pessoas desconhecidas) e eu fico realmente feliz pelo carinho, mas eu tenho que confessar, mesmo que para mim mesma que tenho uma dificuldade tremenda de participar delas.

Um tempo atrás eu me preparava para tais eventos. Sofria de antecipação, mas engolia o choro. Ia pela amizade e me sentia desconfortável em 90% das vezes. Invejo as pessoas sociáveis, imagino quantas aventuras e pessoas legais elas conhecem diariamente porque sei que ser do jeito que sou me limita em diversas ocasiões, só que sou assim faz 25 anos e não parece que tem um cenário de mudança próxima. Então decidi que em vez de me lamentar por ir ou me culpar por não ir, eu apenas vou aceitar esse meu jeito, e, nossa, isso tem surtido um efeito gigantesco de paz interna.

Esse respeito por mim mesma tem gerado finais de semana caseiros, de pijama de flanela, chá e um livro na mão. Que alterna entre cervejinha no meio da tarde, dançar na sala e dormir no sofá. Conversar com a família, agarrar o namorado e encher de beijos a pequena brisa. Sair? ah, obrigada, mas eu dispenso. To bem aqui na minha vidinha pacata e deliciosa.

Então me desculpem queridos amigos pelos aniversários em que não estive e não estarei, te desejo os parabéns (por mensagem, porque detesto ligar nessas ocasiões) e uma ótima festa. Podemos comemorar depois com um drink no fim da tarde. Ou dê um pulo em casa que será ainda mais gostoso (:

Dizer adeus

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Nunca é fácil falar adeus.  Tem aquele adeus para coisas, lugares, aventuras e pessoas. Pra pessoas que se vão para sempre e para aquelas que estão aqui, estão por perto, mas que você tem que aprender a deixar ir.

Conforme a vida passa você reconhece melhor o momento de dizer adeus. Estamos acostumados a lutar até não sobrar mais nada. Até que a gente despedaça por inteiro e as coisas percam seu significado. Decidi que era a hora de aprender a deixar ir antes da destruição total. Dei adeus para amizade antigas, de infância, que eu achei por muito tempo que iam ser eternas.

Para que manter algo que me fazia mal? Que queria que eu fosse algo que não sou mais? Que não quero ser? Só porque tinha a visão de que seria eterno? Por causa das milhares de lembranças acumuladas? As lembranças ficam, as pessoas que vão. Sinto saudade em muitos momentos, mas sei que a saudade é do que era um bom tempo atrás e não do que seria hoje. Essa pessoa está melhor sem mim.

Dei adeus para amizade mais recente que eu sentia meu coração palpitar de amor e carinho. Foi um fim brusco, sem volta. Que ainda insiste em aparecer em sonhos. Que ainda existe o impulso de descobrir como ela está, se está bem, se se encontrou.

Só que aos poucos vou entendendo aqueles conselhos que ouvimos a vida toda e que ignoramos. Respeitar a si mesmo é a coisa mais vital de todas e ai você vê quanta energia é gasta a toa para agradar e manter coisas que no fundo você não quer, mas acha que tem que querer. Não quero mais. Gasto minha energia com aquilo que me faça bem. Já dizia Frida Kahlo “Onde não puderes amar, não te demores”. E assim eu faço.