A problemática do ‘eu te amo’.

A banalização dessa pequena frase não é de hoje. Desde o começo do meu relacionamento decidimos evitar tal frase. Não por não sentir, porque sentimos e muito. Apenas para não virar uma frase obrigatória, sem significado algum, mas com o enorme peso da cobrança. Sabe aquele ‘boanoiteteamoateamanha’? ele sufoca. E o dia que eu to de saco cheio e não quero falar ‘boanoiteteamoateamanha” e sim um simples “bjs, fui”? Significa que parei de sentir amor? Que não quero mais nada? Que estamos a beira do precipício? Serião? Com 25 anos na cara e vou ficar nesse drama de um tchau diferente? Não da não.

A graça maior é que por não falarmos nunquinha tal frase, me dá um comichão danado nas poucas vezes que decido proferi-la em voz alta (porque com o olhar e gestos é diariamente). Fico com vergonha e gaga. Vira um momento danado de fofo e cheio de significância e assim que é bom. Bom é criar as próprias regras que não são regras alguma. Deixar para trás tudo que acha que já aprendeu de relacionamento e descobrir o que combina com você naquele momento e no outro e no outro e no outro, porque mudamos tanto que chega a ser ridículo querer seguir uma cartilha, ainda mais cartilha importada de sei-lá-quem. (Ou seja, se quiser falar ‘boanoiteteamoateamanha’ todos os dias da sua vida, fique à vontade <3 )

Tempo e silêncio

Por muito tempo vivi no silêncio. Lidei com os problemas no meu íntimo. A solidão me permeava. Não tinha amigas próximas para desabafar, não esses segredos ardidos. Quando passei a ter, já não sabia como fazer tal coisa. Já tinha aprendido a chorar escondida e seguir em frente. Gostava disso em mim, mas também sentia um desespero por tanta coisa querendo implodir.

Hoje eu falo. Falo para quem quiser ouvir e para quem não quer também. Chego a causar desconforto quando solto alguma violência que sofri no meio do meu bom dia. Cansei de segredos. Entendi que a minha voz é necessária. Não sei se muda algo para os outros, mas muda para mim. Falar me transforma. Faz aquela dorzinha parar de ser um fantasma tão aterrorizante. Quando dou minha opinião, me sinto cada vez mais próxima do meu ‘eu’. Sinto muito se te incomoda, na verdade não sinto. Você que se acostumou com meu silêncio, agora vai acostumar com meu barulho.