Pela liberdade dos nossos pelos

Evernote Camera Roll 20140602 101723

De uns tempos para cá tento desconstruir muitas coisas em mim. Com o feminismo minha mente abriu em vários sentidos. Entendi que amor próprio é algo lindo e que não é algo impossível de ter. Amo meu corpo, meu peso, minha barriga e..meus pelos.

Lidar com os pelos foi um processo maior do que eu esperava. Quando via foto de mulheres com seus pelos como nesse lindo ensaio eu achava extremamente libertador, mas quando é com a gente as coisas não são tão simples né?

Só que sempre tive pelo muito grosso e com crescimento rápido (coisa de 2x ao dia ter que depilar) e sempre encrava, coça, dá alergia e minha pele vive machucada. Minha compulsão de tira-los sempre foi alta. Não saia de casa sem gillete, pinça e um espelho. Por eles crescerem rápido e encravarem a única maneira que funcionou um pouco melhor foi depilar tudo com pinça, um processo de 4 horas (a cada 3 dias). Só que cansei.

Estava refém de algo que eu não sabia se eu não gostava ou se tinha sido ensinada a não gostar. Afinal nas revistas/tv só aparecem mulheres completamente depiladas (e magras, e loiras e brancas…), só ouvimos que mulher é delicada e tem que estar depilada porque pelo é coisa de homem  e quando esse argumento não funciona: que é anti-higiênico. Anti-higiênico…pensem um pouco..por que só é anti-higiênico quando são as mulheres que tem pelos? Os homens têm e exibem naturalmente. São eles todos sujos? Não gente. Pelo é natural. Homem ou mulher nós nascemos com eles. A diferença é que um padrão de beleza foi imposto e nós seguimos porque sofremos comentários agressivos e piadas o tempo todo.

Só que não preciso de ninguém ditando regras sobre o meu corpo, não quero mais evitar de sair de regata porque não estou depilada, ou usar calça mesmo no calor, cansei de deixar minha pele machucada e vermelha só para não me apontarem o dedo na rua, então decidir testar, passar um mês sem depilar e me entender com eles.

Foi um mês extremamente interessante. Tiveram dias que me senti feia e dias que queria exibir por ai a liberdade dos meus pelos. Essa oscilação toda de sentimentos junto com os questionamentos me fizeram muito bem. Sem contar a minha pele. Minha pele ficou saudável de uma maneira que eu sequer lembrava que ela já tinha sido um dia.

Hoje tenho uma relação muitissimo melhor com eles. Deixo crescer naturalmente quando estou afim e tiro quando quero. Minha pele está melhor, minha neurose diminui bastante e me sinto cada vez melhor comigo mesmo. Se libertar e se amar é lindo e sempre vão existir pessoas apontando e criticando. Dói, é difícil, mas depois que conquistamos é nosso e ninguém tira :)

Ps: A minha ideia não é que todas deixem os seus pelos crescerem porque só assim vão se amar por completo. Não quero ditar regras nenhuma. Se você é feliz se depilando, muito bom! Se você é feliz com pelos, muito bom também. O que importa é se sentir bem, ser livre para ser o que quiser. Aliás, se seu parceiro tenta ditar regras sobre seu corpo..caia fora. O corpo é seu, só seu.

Anúncios

Alguns caminhos vão te afastar do que você quer

IM000167.JPG
Outro dia fui em uma entrevista e chegando lá descobri que seria coletiva. Tinha cerca de dez pessoas. Todas com uma cara apática com seus currículos na mão. A entrevista consistia em fazer uma “arte” sobre você e depois na frente de todos responder umas questões para se apresentar. Foi aí que meu coração apertou um pouco. Todos que se apresentaram não queriam estar ali. Não sei os sonhos e desejos deles, mas não era aquela função, empresa e salário. Estavam todos desanimados. Sabe quando você está no transporte público em horário de pico e vê apenas rostos infelizes? Era a mesma coisa. Claramente eu era uma dessas pessoas. Não queria estar ali encenando uma animação que não existia. Só que infelizmente eu também precisava do dinheiro.
 
Assim que coloquei os pés na rua, tirei aquele casaco social, soltei meu cabelo e me senti menos sufocada e imaginei como seriam meus dias se eu passasse na entrevista. Secretamente torci para não passar e fiquei aliviada e feliz quando recebi o email de que ainda não tinha sido daquela vez. Foi uma ótima notícia. Me despertou daquilo que eu já sabia e que as vezes esqueço. Não quero isso. Quero sentir prazer no trabalho então tenho que lutar mais e mais para conseguir tal coisa.
 
Sei que nem sempre vai ser possível ser tudo como eu desejo, mas que então o caminho não seja tão tortuoso. Que o passo dado me leve para mais perto da montanha. Para isso eu parei de entregar currículos aleatórios e foquei mais em lugares que eu sentiria mais liberdade, que o horário condiz mais com meu perfil. Porque só de imaginar a sensação de sufocamento de novo ou da vida passar rapidamente sem que eu conseguisse vivê-la, já me deu ansiedade. Vivi isso nos outros empregos que tive. Vivi isso no últimos meses da faculdade. Não quero mais viver isso. Quero ir atrás dos meus sonhos porque sei que irei realizá-los. Você aí que tem várias responsabilidades não desanime, pense que existe solução.
 
Felizmente cada vez mais encontramos pessoas que com seus 30/40/50 anos foram atrás do que sempre sonharam. Mudaram completamente a vida. Guardaram dinheiro e se arriscaram em planos completamente diferente do que faziam no seu dia-a-dia e estão felizes, realizados. Completamente clichê, mas é verdade, ir atrás dos sonhos é possível e satisfatório.
 

Minimalismo em prática

1193779_39725298

Temos o capitalismo como sistema econômico. Com isso o consumismo faz parte do nosso dia-a-dia. Somos bombardeados com propagandas que dizem que para sermos plenamente felizes precisamos do produto “X”. Para ficarmos bonitos precisamos de todos os perfumes do mundo; maquiagem; roupas da moda. Carros. Gadgets. Sapatos. Precisamos também conhecer os restaurantes caros. As baladas que bombam. Os shows de 500 reais. Comprar, comprar e comprar. Só que por quanto tempo dura essa felicidade? Os passeios caros são realmente mais divertidos do que outros que você pode gastar pouco ou nada?

Quando decidi mudar de vez a minha vida me vi com pouquíssimo dinheiro. A alternativa era trabalhar em algo que não gostava ou aprender a viver com pouco. Foi assim que conheci o estilo de vida minimalista.

Minimalismo para quem não conhece na verdade é um movimento que tem como base usar poucos elementos para se expressar. Isso na área científica, artítisca e cultural. Com esse movimento surgiu um estilo de vida. Pessoas dispostas a viver com o necessário. Cansadas de comprar (as vezes até compulsivamente), de ver que a felicidade durava pouco, os bens materiais ocupavam espaço e geravam dívidas. Que viram que da pra viver com menos, bem menos.

Agora, o que é o necessário? Essa é uma resposta bem pessoal. A graça é realmente você se perguntar a todo instante se certa coisa é realmente necessária na sua vida. Pensando apenas na parte econômica (porque o minimalismo é muito mais que isso) já vi minimalistas que tem 10 peças de roupas e outros que tem 100. Então não significa ter pouca coisa de tudo. Posso ter 3 sapatos, só que quero ter 70 livros. Não preciso me livrar de tudo e sim gastar meu dinheiro com aquilo que realmente importa para mim.

E aí começa todo um caminho de autoconhecimento. No meu caso eu parei de comprar roupa e maquiagem. Livros passei a pegar emprestados. Passeios eu comecei a fazer os gratuitos. Quando vi eu precisava de tão pouco que o dinheiro que eu tinha para o mês era mais do que o suficiente. Não, não deixei de sair. Escolhi bares com preços acessíveis. Shows em parques. Cinemas baratos. Amigos em casa. Tem uma multidão de coisas para fazer por aí com preço bom.

No fim a conta é positiva. Gastando pouco, você vai precisar de menos dinheiro e assim tem a oportunidade de testar outras coisas. Mudar sua vida. Escolher outros rumos. Acima de tudo, ver o valor de pequenas coisas.

Você escolhe como ser feliz

happy-and-free

Infelizmente ainda temos como padrão para a maior parte da sociedade de que o certo é se formar, achar algum emprego convencional (e sempre procurar o melhor salário independente se você gosta ou não do cargo), comprar uma casa, um carro (e mil outras coisas caras), casar, ter filhos, aposentar e fim. Só que estamos vivendo em uma época que tudo isso está sendo desconstruído. Com a ajuda da internet temos os nômades digitais, as pessoas que trabalham de casa, as que têm os horários totalmente flexíveis e principalmente pessoas que sentem prazer com o trabalho.

Algo interessante nos relatos de pessoas que conseguiram se desprender desse sistema é que muitos comentam que isso é difícil e que tem algum segredo que elas nunca vão descobrir e por isso não vão alcançar esse sonho. Eu mesma fiz esse comentário mentalmente mais de uma vez. Pesquisava a história da pessoa atrás de um bilhete premiado da loteria que possibilitou toda essa liberdade. Até que decidi trilhar esse caminho. Sabe qual é o segredo? Não é fácil e tem horas que você sente que o melhor é desistir, mas não é. Persistir é a chave de tudo.

Até um tempo atrás estava seguindo esse plano convencional. Estudei, fiz curso pré-vestibular para entrar numa faculdade pública, entrei, estudei mais e me perdi. Não vi sentido em nada daquilo e larguei. Sabe o que mais ouvi? “Falta pouco, termina”; ” como você vai fazer sem faculdade?”; ” você vai entrar em outro curso né?”; “você tem que ser alguém”. Bom, que eu saiba, sou alguém, estando formada ou não.

Para espanto da maioria não quero fazer faculdade. Não sei se farei um dia, pode ser, mas não é meu objetivo. Na verdade desde que larguei a faculdade aprendi muito mais do que o tempo que fiquei lá. Não quero um emprego convencional, adoro ter horários alternativos. Não quero um carro. Não quero comprar mil coisas, eu não preciso de mil coisas. Quando percebi que tudo eram regras e que existia outra vida fora disso, minha mente abriu e foi como se finalmente tivesse me encontrado.

Se você quer isso também pra você, e aqui falo para qualquer coisa que fuja do padrão social e não necessariamente ‘emprego-faculdade’, vá em frente e ignore os discursos comuns, eles sempre vão existir. Só que da sua vida só você sabe.

Faculdade

kjh-7490

Minha ideia não é fazer um texto para convencer as pessoas a não fazerem faculdade, mas eu me questiono sempre se esse modelo que conhecemos é bom e funcional.

O curso que eu fiz  (e tranquei com um alívio no coração) é integral e em outra cidade. Entrava as 8 horas e saia as 18hrs. O que dá 10 horas de estudo porque o horário de almoço consistia em 15 minutos para engolir a comida e 2:45 para adiantar trabalhos, ler artigos e fazer reuniões. Quando chegava em casa lá se iam mais algumas horas para tentar fazer tudo isso de novo e ir pra cama para ao menos dormir 5 horas (em época que não era de provas e entregas de trabalho). A sensação que eu tinha e continuo a ter mesmo depois de ter saído dessa vida é que a carga é tão tão tão pesada que não dá tempo de você absorver e debater o conhecimento. Vira um empilhamento de coisas na sua cabeça que de tão cansada faz o mais óbvio para sobreviver com tanta informação: deleta.

Entrei uma vez em um debate desse com um professor e ele disse que quem quer de verdade fazer a faculdade se esforça. Bom, eu considero que me esforcei. Demorei para fazer amigos, não fui em festas, estudava em todos os minutos de folga e perdia finais de semana. Vai ver eu tinha que me esforçar mais ainda (e dormir menos) afinal muitos conseguiram, muitos gostaram. Só que eu acho estranho e não normal como todos falam, que a maioria diz que sente não ter aprendido nada e que só sabem responder apenas a área do estágio. Acho estranho ter 4 horas seguidas da mesma matéria, ou 6 horas em um único dia. Acho estranho você reter informação com essa enxurrada de conhecimento. Acho estranho você decorar mil coisas que vai esquecer. Acho estranho que para você fazer estágio tem que faltar em aula. Acho tão estranho que acho que esse mundo não é para mim, não por enquanto, não agora (ou nunca).

A importância do desconforto

Mais estranho que a ficção

O que você faria se percebesse que sua vida é uma história escrita por alguém que você sequer conhece? É exatamente isso que acontece no filme “Mais estranho que a ficção”. O personagem principal é bem monótono porque gosta de fazer tudo igual e seguindo regras impostas por ele. Sua vida já está inteira traçada. Até ele perceber que está dentro de um livro e que sua autora decide que vai mata-lo no final.

O que é interessante é a descoberta dele de que a vida pode ser muito melhor; que existe um jeito de realmente vivê-la e isso ele só percebe quando a morte é eminente. Se você faz um paralelo isso acontece com muitas pessoas. O medo do novo paralisa. A pessoa para no tempo e segue sua rotina sem parar para pensar se realmente é feliz dessa maneira. Ou percebe que não é, mas não faz nada para mudar. Será que essa pessoa também só irá mudar e ir atrás de vivências quando a morte der um ‘alô’?

O que me fez lembrar de um artigo do Léo Babauta. Léo é um escritor genial e um dos projetos dele é o Zen Habits. Um blog que fala sobre a simplicidade das coisas, o foco no que importa e como achar a felicidade.

No meio de tantos conselhos bons me deparei com um texto sobre desconforto. Nesse ele aborda o quanto estamos acostumados a evitar o desconforto e com isso perder várias experiências deliciosas. Ele dá exemplos muitos simples, mas que você pode colocar em diversas situações. Um dos exemplos é que muitos de nós nos sentimos assim ao conhecer pessoas novas, então a tendência é que só falamos com ‘x’ pessoas e perdemos a oportunidade de conhecer outras bem legais. Se você prestar atenção nós fazemos esse tipo de coisa o tempo todo. Quanto será que não perdemos?

Resolvi colocar resumidamente e com as minhas palavras as dicas que o Léo diz ajudar bastante para mudar esse ciclo:

  1. Comece sentindo um pouquinho de desconforto. Escolha algo que te traga essa sensação e faça por 1; 5; 10 minutos. E analise como você se sentiu. Realmente foi a pior coisa do mundo?
  2. Quando você sentir uma urgência de fazer qualquer coisa para fugir desse desconforto, não faça. Espere um pouco. Normalmente essa urgência passa logo. Espante os pensamentos negativos de que fazer isso é muito difícil e tente ser forte. Não ceda nenhuma vez, senão você vai querer ceder o tempo todo.
  3. Continue a praticar e você vai perceber que o pouquinho de desconforto agora é sua base, então é hora de aumentar mais esse tempo até virar algo normal.

Espero que essas dicas ajudem todos nós a fugir do cômodo e que as novas aventuras tenham espaços nas nossas vidas.

 

Produtividade e seus significados

How-to-Be-Productive—Four-Apps-to-Stay-on-the-Ball

Ontem deitada na cama me senti desanimada. Refleti sobre a semana que passou voando e pensei “poxa, essa semana não fiz nada. Não tinha nenhum projeto. Foi inútil…perdi esses dias” e por aí vai, mas…peraí. Por que a nossa tendência é sempre essa? De enxergar tudo do lado negativo. De nos cobrar tanto e nos crucificar. Temos sempre que ser “produtivos”. Se bem que isso depende muito do seu ponto de vista. Foi isso que eu fiz, mudei meu ponto de vista.

Eu passei a semana entre leituras de textos interessantíssimos na internet e o livro “Madame Bovary”, assisti muito “Breaking Bad” e “Jóia rara”, reguei a minha cachorra (uma das cenas mais fofas de todos os tempos), revi amigos do colégio, conversei com meu pai sobre política, cuidei da casa, escrevi no diário, comecei um romance, me desconectei da internet e muitas vezes deite no chão e pensei na vida. Agora vejo que foi bem produtivo.

Posso não ter dado um passo a mais para descobrir o que eu quero trabalhar, ou ter estudado…ou qualquer uma dessas coisas que nossas mentes dizem que são mais produtivas, mas eu aprendi tanta coisa sobre mim nessa semana leve, que vale para vida toda. Acho que isso que importa né? Então agora vou reprogramar minha mente. Ver o lado bom das coisas faz com que você encare a vida com maior leveza e é isso que busco.

Mudanças

Essa semana começaram a pipocar frases geradas pelo what would i say (apelidado carinhosamente de robozinho por mim). Eu adorei a brincadeira, mas uma delas me fez refletir bastante “A vida da nova nova Nara”. Engraçado como o robozinho me conhece tão bem.

Passamos por mudanças o tempo todo, mas de uns tempos para cá eu sempre me pego surpresa com a reviravolta que minha vida deu. Começo de 2012 eu estava em um namoro de quase 5 anos e aí do nada estava solteira. Não sabia bem como era ser solteira, então em 2012 voltei a me sentir com 16 anos e suas mil descobertas. Descobri que não era tímida da maneira que eu achava; que gostava sim de dançar e que fazer amizades era bem interessante. Tava formada a nova Nara.

Em 2013 quando já tinha me acostumado com essas descobertas todas, o mundo foi lá e virou de ponta cabeça. Eu não queria mais fazer a faculdade que estava fazendo. Vi que eu queria mais, muito mais. Entendi que muitas coisas eram mantidas dentro de mim e que eu tinha medo de colocar para fora.

A frase do filme “Compramos um zoológico” está totalmente certa: “Sabe, as vezes tudo o que você precisa é de 20 segundos de coragem extrema. Sério, 20 segundos de bravura vergonhosa e eu prometo que algo ótimo vai acontecer”.

Foi isso que fiz. Tranquei a faculdade, voltei a morar com minha família, comecei um namoro e a buscar algo meu. Meu por inteiro, sem medo do que eu ia descobrir.

Agora estou aqui, sem saber o que vai ser de 2014 e adorando isso.