Festas e a dificuldade de participar delas

As pessoas queridas me convidam para aniversários (e qualquer outro evento aonde tenham muitas pessoas desconhecidas) e eu fico realmente feliz pelo carinho, mas eu tenho que confessar, mesmo que para mim mesma que tenho uma dificuldade tremenda de participar delas.

Um tempo atrás eu me preparava para tais eventos. Sofria de antecipação, mas engolia o choro. Ia pela amizade e me sentia desconfortável em 90% das vezes. Invejo as pessoas sociáveis, imagino quantas aventuras e pessoas legais elas conhecem diariamente porque sei que ser do jeito que sou me limita em diversas ocasiões, só que sou assim faz 25 anos e não parece que tem um cenário de mudança próxima. Então decidi que em vez de me lamentar por ir ou me culpar por não ir, eu apenas vou aceitar esse meu jeito, e, nossa, isso tem surtido um efeito gigantesco de paz interna.

Esse respeito por mim mesma tem gerado finais de semana caseiros, de pijama de flanela, chá e um livro na mão. Que alterna entre cervejinha no meio da tarde, dançar na sala e dormir no sofá. Conversar com a família, agarrar o namorado e encher de beijos a pequena brisa. Sair? ah, obrigada, mas eu dispenso. To bem aqui na minha vidinha pacata e deliciosa.

Então me desculpem queridos amigos pelos aniversários em que não estive e não estarei, te desejo os parabéns (por mensagem, porque detesto ligar nessas ocasiões) e uma ótima festa. Podemos comemorar depois com um drink no fim da tarde. Ou dê um pulo em casa que será ainda mais gostoso (:

Dizer adeus

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Nunca é fácil falar adeus.  Tem aquele adeus para coisas, lugares, aventuras e pessoas. Pra pessoas que se vão para sempre e para aquelas que estão aqui, estão por perto, mas que você tem que aprender a deixar ir.

Conforme a vida passa você reconhece melhor o momento de dizer adeus. Estamos acostumados a lutar até não sobrar mais nada. Até que a gente despedaça por inteiro e as coisas percam seu significado. Decidi que era a hora de aprender a deixar ir antes da destruição total. Dei adeus para amizade antigas, de infância, que eu achei por muito tempo que iam ser eternas.

Para que manter algo que me fazia mal? Que queria que eu fosse algo que não sou mais? Que não quero ser? Só porque tinha a visão de que seria eterno? Por causa das milhares de lembranças acumuladas? As lembranças ficam, as pessoas que vão. Sinto saudade em muitos momentos, mas sei que a saudade é do que era um bom tempo atrás e não do que seria hoje. Essa pessoa está melhor sem mim.

Dei adeus para amizade mais recente que eu sentia meu coração palpitar de amor e carinho. Foi um fim brusco, sem volta. Que ainda insiste em aparecer em sonhos. Que ainda existe o impulso de descobrir como ela está, se está bem, se se encontrou.

Só que aos poucos vou entendendo aqueles conselhos que ouvimos a vida toda e que ignoramos. Respeitar a si mesmo é a coisa mais vital de todas e ai você vê quanta energia é gasta a toa para agradar e manter coisas que no fundo você não quer, mas acha que tem que querer. Não quero mais. Gasto minha energia com aquilo que me faça bem. Já dizia Frida Kahlo “Onde não puderes amar, não te demores”. E assim eu faço.

Inconstâncias

Hoje me vejo perdida no meio de tantos projetos diferentes. Como se eu tivesse que escolher um deles à minha frente, mas no fundo eu prefira ficar imóvel. Mesmo que imóvel não seja a solução. Não que eu saiba qual seja a solução. Eu vivo entre procurá-la em pânico e desistir de tentar. Será que todos nós temos essa ânsia aguda de produzir? E tem tanto medo de ficar ruim que é melhor nem começar? Inventar desculpas sempre vai ser fácil. Esse texto não deixa de ser exatamente isso, uma desculpa.

Percebe como eu não sei quais são as minhas inquietações? São muitas ou nenhuma. Essa oscilação tremenda…até a escrita se perde. Me sinto sufocar com as minhas palavras, mas só fechar os olhos por alguns minutos que eu já consegui silenciar esse ardor e volto a ficar adormecida. Espero que algo me desperte. Ou vai ver não existe uma saída para isso. Isso aqui tudo que estou com tanto medo pode ser o tal ‘ser adulta’, ou quem sabe o limbo entre uma coisa e outra. Um nada bagunçada.

Se não vai ajudar pfvr não atrapalhe

Tem um artigo rolando ai de uma mina (leia-se uma mulher das antigas que diz que está na luta faz tempo) que se diz feminista, mas que né, claramente não é. O texto é gigante e tem muita coisa problemática, então vou me controlar para comentar 3 tópicos.

1)Ela fala que a luta das mulheres feministas de antes eram melhores porque o que elas queriam era igualdade, que era o mesmo que gritar “amamos os homens, admiramos os homens..” eca. Não somos como os homens, não queremos ser como os homens e não amamos os homens e principalmente, não precisamos dos homens.

A luta feminista não é de igualdade é de equidade. Não queremos ser como homens, porque eles são privilegiados e opressores. Queremos acabar com a opressão. Então não é a mesma coisa.

2)Desata a falar como os homens são coitados porque agora com as mulheres no mercado de trabalho e que agora se mulheres podem fazer o que homens fazem, eles ficam perdidos e não conseguem exercer a masculinidade deles –‘

Coitadinho dos omis que agora nós estamos tomando espaços e voz. Que omi escroto não tem vez, que vai ser rachado sim.

3)Fala sobre a importância da maternidade, que isso que nos da poder sobre os homens e que temos que escolher entre maternidade e carreira.

Maternidade compulsória é algo sério e que tem sido amplamente discutido no feminismo exatamente para acabar. Para que quem quer ser mãe seja e que não quer tenha esse direito tranquilamente. Essa imposição de que somos mães, que temos instinto materno e por isso acolhemos e cuidamos dos homens tem que acabar. Isso existe para nos manter nessa situação de cuidadora deles para sempre. De cuidar do marido, de ter que ter filho e etc. Não temos que nada. Não precisamos ser cuidadoras. Não precisamos nos limitar a uma coisa só. Cuidar do filho é uma coisa que o casal tem que fazer e não só a mãe, a merda é que é só a mãe que cuida. Cuida da casa, cuida do filho e trabalha. Jornada dupla, tripla..já ouviu falar né?

Ta, não aguentei.
ELA FALA PARA NAO USARMOS ROUPAS CONVIDATIVAS E QUE NAO DEVEMOS CULPAR OS HOMENS QUE ENTENDERAM ESSA MSG SE NAO ERA ISSO QUE QUERIAMOS DIZER.

socorro.

Ps: não abram a matéria original, segue o link usando o naofo.de
http://naofo.de/43hm

Coletor menstrual

Pensei em bolar um texto, mas ó, tem vídeo lindo ai da Jout Jout Prazer​. Só que sei que a gente sempre quer saber experiências de alguém conhecido. Então lá vai.

Uso faz 3 ciclos e adoro. Não volto mais para o absorvente/o.b. A liberdade que se tem com o copinho é enooorme. A relação que você tem com seu próprio sangue é imensurável. Tantos mitos são quebrados. Litros de sangue? mentira. Só um tequinho de nada. O suficiente para molhar as plantinhas para elas crescerem mais forte / fazer uma arte / se conhecer.

É fácil de colocar? é, mas é diferente então precisa de um treinamentozinho. Dá pra trocar na rua? Dá sim. Sem grilos, só é um pouco mais chato, mas com o tempo você pega a manha. Dá pra ficar mais de 4 horas? siiiim, 12 horas sem preocupação!Barato? a marca mais conhecida é a inciclo e vc consegue encontrar por uns 80 reais, mas dura 5 anos! E né, ecológico.

Conta aí também a sua experiência!

Tons de crueldade

Ver um relacionamento abusivo ser visto como algo glamuroso e legal me machuca muito. Vivi um relacionamento abusivo por muitos anos. Foi difícil me libertar e sei que muitas irmãs minhas estão vivendo um relacionamento assim. Por mais que eu tente alertá-las é muito complicado você perceber e mesmo quando percebe, é bem complicado ter forças para se libertar.Isso não é romance. Não é amor. é abuso. Perder toda sua identidade, se afasta das coisas que você ama e ter medo do seu parceiro não é amor. Tenho medo de que as meninas jovens acreditem que isso é amor. Que aceitem cegamente. Que sejam mais uma vítima. Temos muitas já, não precisamos de um filme/livro que faça esse número aumentar. Que faça mais uma de nós chorar.

Que as mudanças aconteçam

Infelizmente já estou acostumada a ouvir comentários péssimos vindo de homens, mas sempre me machuca quando ouço eles vindo de mulheres. Sei que muitas reproduzem machismo e não as culpo. Eu também estava nesse papel um tempo atrás, mas não consigo não ficar chateada.

Outro dia surgiu o assunto de uma moça que fez mil cirurgias e rolou umas fotos dela na internet. Aí uma moça comentou que ela é burra, que fez por merecer, que tem pessoas passando fome enquanto ela fica gastando fortunas nisso e caiu no clichê de “esse povo é tão burro que merece morrer”. Oi? Tentei contestar lembrando que estamos falando de pessoas ali; pessoas que nem sempre tem a auto estima que provavelmente tem; que a sociedade é pesada nas críticas..e tantas outras coisas que nos inundam diariamente de mensagens avisando que somos feios feios feios. Que precisamos de mil produtos, plásticas e procedimentos para tentarmos ficar bonitos.

Só que normalmente essas coisas não são absorvidas. Só geram discussão, raiva na outra pessoa e um fim na conversa nada saudável. Fico triste porque essa mulher vai continuar presa nesse sistema por mais tempo. Sofrendo duplamente pelo machismo e julgando outras mulheres. Espero que esse tempo seja curto. Espero mudanças nas irmãs.

Aborto

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Eu vi um video do Roberto Bolanos contra o aborto. Ele narra a história da vida dele. Que a mãe foi orientada a abortar pelo médico depois de um acidente que ela sofreu, porque poderia morrer. Ela disse não e ele nasceu. Ele. O Chaves. O personagem marcante da nossa infância. Ai você pensa “nossa, imagina se ela aborta? não teríamos o chaves”. Esse pensamento egoísta mesmo que faz com que a gente fique contra o aborto.

Ao lado tinha um video chamado “como o feto reage ao aborto”. Veio inesperadamente uma lembrança da minha adolescência. Por uma violência sofrida eu tomei pílula do dia seguinte e não tinha me sentido culpada por isso. Senti apenas um tremendo alívio. Até o dia que uma professora de ciência resolveu passar esse vídeo.

No video extremamente apelativo mostra um bebe super formado reagindo a algum equipamento estranho. Aborto não é isso. Não temos um bebe lindinho ali, todo formado e reagindo as coisas externas quando abortamos. Temos um punhadinho de células só e do outro lado um mulher. Só que ao assistir o vídeo me senti péssima. Porque não sabia disso. Achei que o video que a professora passou era a realidade. Aquela imagem me marcou fortemente e quase chorando perguntei para professora sobre pílula do dia seguinte e ela disse que ao tomar eu matei o bebe. Aquele bebe. Aquele bebe formado. Era só isso que minha mente pensava.

Por esse tipo de campanha, tanto do Bolanos, quanto da minha professora (DE CIENCIA) que as mulheres são continuamente criminalizadas por abortarem. Por isso tantas morrem no aborto clandestino. Por isso tantas preferem tomar remédio em casa e sofrer em silêncio, sem apoio, sem amor. Aceitem que continuaremos a fazer aborto e nem todas se sentirão culpadas. Tirem suas regras e suas culpas de cima da gente.

Trabalho doméstico e iuzomismo do dia-a-dia

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Triste pensar que o feminismo ainda tem uma longa caminhada para ser entendido por outras mulheres. A luta e as conquistas são vistas de formas tão deturpadas que não são comemoradas e sim tratadas como um retrocesso.

Descobri esses dias que mulheres não podem trabalhar dois domingos seguidos (pelo menos como lojistas de shopping – não sei dizer sobre as outras áreas), mas que homem pode fazer essa escala. Fiquei surpresa e contente, mas todas as outras mulheres que convivo (tanto as do trabalho como da minha vida pessoal) acharam um absurdo.

Chegaram até a dizer irritadas que isso é uma forma de preconceito e injustiça com os homens. Deles vieram reclamações e impropérios, mas isso já é algo constante quando eles percebem que estamos conquistando nossos direitos e que nossa luta não é voltada para dar benefícios para eles. Só que dói ouvir esses mesmos berros vindo de mulheres.

Tentei argumentar que esse ‘benefício’ existe porque ainda são as mulheres as únicas responsáveis por cuidar da casa e dos filhos. Não me importo se o seu parceiro faz as tarefas de casa. Isso é obrigação dele e não deve ser visto como algo para ser parabenizado. Principalmente porque a maioria não divide as tarefas, apenas faz algumas coisas e diz que ‘ajuda’ em casa. Se você acha que mesmo assim é injusto com seu pobre parceiro, pense também nas nossas irmãs que cuidam de tudo sozinhas e ouvem reclamações se as coisas não estão impecáveis. Pense na culpa que elas carregam pela casa não estar perfeitamente limpa e arrumada. Pense que elas ainda se preocupam em lembrar para o parceiro as datas de aniversários dos parentes, de comprar os presentes e de ligar para a sogra para ver se ela está bem. Aliás, lembre-se que somos nós mulheres que cuidamos da sogra quando ela envelhece. Não é o filho, não é o homem.

Se você prefere ter dados para aceitar que INJUSTO é na verdade a carga tripla (na real ela é bem maior porque entram outras questões aqui que vão desde – ter que ficar linda, impecável, depilada e cheirosa o tempo todo e isso leva um tempo danado, além do stress até o fato que o trabalho em si já é uma carga dupla já que a mulher tem que lutar e comprovar muito mais que o homem que é qualificada para aquela posição já que sofre preconceito e misoginia o dia todo que a desqualifica e deslegitima) vamos aos dados:

Pesquisa IBGE: entre pessoas de 10 a 15 anos: 40,1% dos meninos e 71,3% das meninas fazem o trabalho doméstico com 13,3 horas semanais para elas contra 8,3 para eles.

Entre 18 a 24 anos: 82,4 mulheres com 21,2 horas semanais.

Adultas: 79,9% com 17,1 horas por dia.

Pesquisa IPEA 2012:

Em 2009, 90% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais de idade afirmaram realizar afazeres domésticos, comparados a 50% dos homens.

O que se sabe é que elas responderam despender, em média, 26,6 horas por semana realizando afazeres domésticos, em 2009. Os homens, por sua vez, despendiam 10,5 horas semanais.

Pesquisa agência Patrícia Galvão:

Todas as mulheres realizam tarefas em casa. 71% delas não contam com ajuda masculina na realização de nenhuma tarefa dentro de casa.

Cuidados com os filhos: Entre as mulheres casadas, a maioria (71%) não conta com a ajuda do marido. Já entre as solteiras e as viúvas ou separadas a maior ajuda é da mãe: 64%.
além de que: Para as mulheres casadas das classes C e D, isso é mais evidente: 64% e 61% respectivamente, concordam que os maridos dão mais trabalho do que ajudam. Já para a classe AB, a concordância é de 43%.
Mulheres repensem um pouco. O femismo não quer que os homens sejam injustiçados, queremos que as mulheres conquistem DIREITOS. Uma coisa bem diferente da outra.

Esperança

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Fui assaltada nessa semana. Foi horrível? Foi. Deixou um misto de medo, ansiedade, insônia, solidão e tristeza. Só que não é disso que eu quero falar. Também não quero e nem vou problematizar a sociedade. E não quero por aqui discursos de “bandido bom é bandido morto”.

Quero aproveitar um acontecimento bem ruim para falar de outro bem legal. Depois do ocorrido e do pânico instaurado, pedi ajuda. Toquei a campainha de duas casas. A primeira foi de uma senhora que não abriu a porta para mim e super compreendo porque eu também não teria aberto, afinal parecia um golpe. Quem toca a campainha e fala “fui assaltada, me deixa entrar!”? Só que ela apareceu minutos depois no portão e me deu o celular dela já com a polícia na linha e com a história meio encaminhada. Se não fosse por ela, nem pensaria em ligar para polícia.

A segunda casa era de uma família todinha vestida de pijama e pronta para dormir, mas que nos acolheu de forma muito fofa. Nos ofereceram água e abrigo. Puxaram papo sobre outros assuntos para nos distrair e esperaram conosco que alguém viesse nos buscar. Foi ali, no sofá deles que me senti agradecida e surpresa. Não esperava apoio, nem gentileza. As pessoas vivem com medo em São Paulo, mas, resolveram deixar a novela de lado e nos acolher.

As coisas estão ruins? Estão. Só que gentilezas assim nos preenche de esperança e sentimentos bonitos se expandem infinitamente se a gente deixar (: vamos deixar?